(por Flavio Ferrari, do Arguta Café)
Temos nossos limites.
A percepção desses limites e a forma de lidar com eles difere bastante de pessoa para pessoa.
A maioria das pessoas que conheci prefere navegar a uma segura distância dos seus limites, dentro de uma estreita zona de conforto.
Embora respeite a decisão, acho uma pena.
Primeiro, não há como conhecer nossos limites se não os visitamos.
A distância confortável é, via de regra, uma posição de onde não conseguimos enxergar nossos limites.
Em segundo lugar, os limites pessoais não são fixos, e podem se extender quando desafiados, ou atrofiar se nunca os visitamos.
Navegar no limiar das nossas possibilidades, desafiando nossos limites não é uma tarefa que eu recomende para todo mundo, todo o tempo.
Mas é um exercício luminar.
Permite conhecer-se melhor e descortinar novos horizontes.
E oferece uma inigualável sensação de vida.
Eu acho que vale a pena tentar, pelo menos de vez em quando.
Às vezes penso que só eu vivo no limite de tudo, de paixão, de grana, de comilança, de bebedeira, de exercícios, de sedentarismo, de introspecção, de extroversão, etc... E às vezes me acho pretensiosa, pois acho que tem gente que vive muito mais "no limite" do que eu... No fim, a minha opinião é que sempre vale a pena testar, sim, os nossos limites. Somos feitos de material flexível, nos adaptamos `às coisas da vida - bem ou mal, mas nos adaptamos.
Nossa carne é elástica, estica até dar a luz, pode ser até de quadrigêmeos e dá tudo certo, basta um óleo de amêndoas ou uma plástica.
Que seja! De óleo em óleo constituímos nossa história.
O que teríamos para contar se tivéssemos vivido dentro dos limites?
Teríamos respeitado as regras impostas pela sociedade. Não teríamos cabulado aula, não , nem pulado na piscina de roupa, não teríamos beijado escondido e nem perdido a virgindade antes de casar...
Disse Veríssimo: "De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma."
Talvez o Papa nos abençoasse!
segunda-feira, 14 de maio de 2007
Limiares luminares
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário