domingo, 5 de agosto de 2007

cinza

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.


Há algum tempo venho percebendo que nem só de entusiasmo devem ser abastecidas as nossas buscas. Entusiasmo não basta, principalmente quando não depende apenas de você, para alcançar um objetivo... E é mais complicado ainda quando o objetivo tem vida, vontades, humores, passado e afins. SACO.
Deve ser por isso que muitas pessoas têm preferido a solidão.
Você, sendo uma pessoa só, tem a liberdade de fazer tudo o que "lhe der na veneta". Não está linkado à ninguém, não tem que dar satisfação do que quer que seja, nem nada... Acrescente à isso, algum dinheiro, um carro e seu entusiasmo bem escondido na bolsa... Pronto, o mundo é todo seu e você não precisa de mais ninguém.
Isso é bom??
Por que o entusiasmo, que era uma palavra que nos remetia à tão boas coisas, há de ser agora errado???
Às vezes, o seu entusiasmo é tanto que abastece a si e ao outro, sem problemas!! At aaaaall!!
Não... O entusiasmo agora é relacionado à ansiedade, à “ir com sede demais ao pote”. Saco, SACO.
Será que as pessoas apáticas, com aquele ar blasé, bem pálido, de “ai, isso pouco me importa”, alcançam mais rapidamente o que desejam?

5 comentários:

Anônimo disse...

Érica,

Acho que ninguém opta por solidão...As pessoas optam pela sensação de liberdade.

Digo sensação por que ninguém é verdadeiramente livre... Não somos livres nem mesmo do nosso sentimento!!

Flavio Ferrari disse...

Ninguém é verdadeiramente livre ... todo mundo é verdadeiramente só ... E nem por isso a vida deixa de ser divertida ...

Ju disse...

Não acho que o entusiasmo deva ser confundido com o "muita sede ao pote".
Acho sim, que às vezes temos muita sede, mas porque não somos capazes de admitir que a temos e desta forma, saciá-la enquanto não se acumula.
PEÇA O QUE PRECISA e comece pedindo a vc mesma.

Bárbara Semerene disse...

Só pra polemizar: eu noto o contrário. As pessoas SÓ estão em busca hoje em dia do entusiasmo e do prazer 24 horas por dia. E nenhum relacionamento pode abarcá-lo porque um relacionamento não é feito só de prazer. Ao contrário: a vida é feita mais de desprazer,monotonia e sofrimento do que de prazer. Mas a sociedade hedonista de consumo colocou na nossa cabeça que é possível, sim, viver só com alegria, euforia, ecstasy. É MENTIRA, GENTE, VCS JÁ NÃO SACARAM?! Verdadeiro mesmo seria buscar um cúmplice, uma companheira pra gente enfrentar TUDO: tanto o prazer quanto a dor quanto o tédio. Viver o tédio da vida juntos, em vez de ficar tentando fugir ou escapar a ele. Menos ecstasy, mais amor. É isso.

Udi disse...

de novo o Gil (nosso ministro):

"E quando escutar um samba-canção
Assim como: 'eu preciso aprender a ser só'
Reagir e ouvir o coração responder:
'eu preciso aprender a só ser'"