Acordo hoje com um telefonema de uma prima minha, Patrícia (prima que não é prima, é filha de um primo do meu pai, Wilson, mas que é mais considerado por ele do que as próprias irmãs. Ele é a família que meu pai escolheu) (prima maluca, mulherão, furacão, minha ex-chefe, ariana desvairada! depois eu falo dela)... Bom... ela estava ligando pra dizer que uma sobrinha do meu pai havia falecido e queria o telefone dele para comunicá-lo.
Como ele não é muito de família mesmo - sempre disse que a nossa família era: eu, minha mãe, meu pai, meu irmão, minha vó e o Pitoko (indispensável) - nunca procura as irmãs (tem 3.. ou tinha, sei lá) e nem se envolve muito, achei melhor avisá-lo antes que iriam ligar.
Depois ele me ligou de volta, disse que tinha falado com o Wilson no telefone e estava meio chorando. Tado!
Wilson, já não anda lá muito bem de saúde - se meu pai tem 62, ele deve estar com mais de 70 - há muito meu pai não o vê, talvez até porque é muito difícil ver alguém que vc ama indo embora...
Meu pai sempre foi o mais durão; minha mãe era uma "filha de italiana da gema", exuberante, espalhafatosa, lindíssima, exagerada...
Sempre achei que eu era muito parecida com ela, mas aos poucos tenho descoberto que sou mesmo é parecida com meu pai. Ele, se não gosta de alguém, fica transparente! Melhor nem chegar. Fala baixo, fica vermelho e se retrai.
Outro dia, meio que brigou comigo pq ele tinha ficado doente e eu não tinha ido na casa dele vê-lo... (alguém leu acima que ele não é muito de família? Pois é, eu tb.)
Pô, eu sabia que ele estaria sendo bem cuidado.
Sua mulher, Ana Cristina, ariana (ooooutra!!!), gente boníssima, é muito cuidadosa com ele e o ama "de paixão". Pronto! (tudo bem, tudo bem... eu sou filha... Mas sou uma filha que está cuidando da própria vida, afinal...)
Anyway, tivemos uma tarde ótima de Dia dos Pais, conversamos muito, como sempre, falei do meu trabalho, do eventinho da Mattel que teve uma "gincaninha" cujo grupo ao qual eu pertencia ganhou um prêmio por um produtinho que criamos, muito comercial e com o "Plus Play" que eles tanto "pregam" e tal... Vi os seus olhos encherem de lágrimas. Mas ele não chora. Tem que manter o equilíbrio. Tudo bem, eu sou sensível o suficiente para perceber tudo isso e AMÁ-LO mesmo assim!
Quando eu era adolescente e dava MUITO trabalho, minha mãe vivia me mandando para a casa dele... Eu não lembrava, mas ele me disse que ela fez minhas malas muitas vezes! E ele sempre conversou, conversou, conversou...
Apesar de durante um tempo eu achar, por clara influência da minha mãe, que quem segurava a onda por aqui era ela, hoje eu tenho certeza de que se não fosse esse jeito ponderado e equilibrado dele, esse restinho de família que ainda existe já teria virado poeira...
Outro dia, conversando com ele e exemplificando que uma amiga minha deixava o filhinho pequenino com a mãe dela pois ainda não estava na época de ir pra escola, eu disse: é... quando eu tiver meu filho, não vou ter mãe pra cuidar... E ele disse: mas eu vou cuidar do seu filho!
:-D
É isso aí, pai... Quando eu crescer, quero ser igual à você.
sábado, 18 de agosto de 2007
família, família...
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5 comentários:
Linda homenagem, menina. Me obrigou a reler minhas próprias memórias do velho em http://assertiva.blogspot.com/2006/06/e-ele-por-onde-andar.html.
Manda um abraço meu pra ele viu?
Que lindo Erica... Obrigada por compartilhar tua vida conosco... Uma relação de amizade entre pais e filhos é muito bom...
Ai ErLica...
...sabe, pensei em muitas coisas lendo esse seu post. Tantas, que não vai caber aqui falar delas agora.
Só sei que é muito bom vê-la entrando fundo em suas emoções, falando de você, dele e de suas similitudes... ai, ai... (suspiro)
Que lindo, gata!!!
Lindo saber que tem "mais de vc em outrém"do que vc supunha...
Ainda bem que ele está aqui, vivíssimo pra vc poder aproveitar muito e quem sabe, pedir um colinho de papai? Hum???
Que mães vc já tem muitas, né?
AMO
Para nós, meninas (só porque estou falando do daddy), é uma delícia quando nos percebemos - em geral, já depois de "crescidas" - com tantas heranças do papi!
Esses pais "duros na queda", que não gostam de mostrar que as lágrimas lhes enchem os olhos, são os mais-mais! ...conheço bem um desses.
Adorei a narrativa tão cheia de sacadas (insights?).
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