quinta-feira, 6 de março de 2008

1 ano

Querida,

Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.
Nem sei como lhe explicar minha alma. Mas o que eu queria dizer é que a gente é muito preciosa, e que é somente até um certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias. Depois que uma pessoa perde o respeito a si mesma e o respeito às suas próprias necessidades - depois disso fica-se um pouco um trapo. *


Pois é... a vida, num determinado momento, atinge uma velocidade, que nem se fosse possível dizer: "pare o mundo que eu quero descer", você conseguiria reorganizar algumas coisas... Portanto: "Ama teu destino."
Hoje, "remexendo o baú" totalmente por acaso, descobri que este bloguinho fez aniversário dia 27 (quase junto com o Assertiva! Até no blog temos o mesmo signo, Ernesto!! :-D) e vejo que realmente, você não pode levar qualquer tipo de vida 'que seja' e continuar a mesma pessoa...

"As mandíbulas devoradoras do tempo", disse meu "filósofo preferido"...

E cada um muda à sua maneira... fisicamente, fazendo operações, gerando um filho ou se dedicando à academia; mentalmente, curando cicatrizes, recolhendo-se em sua solidão ou enchendo a casa de gente...

Anyway, mil formas.

E vejam como são as coisas; ontem mesmo, encontrei uma amiga que não via há um bom tempo e ela parou, olhou pra mim e disse:

- Eriquinha, você está diferente! Não, não é o cabelo, não é o batom... é sua atitude... não sei... mais centrada, parece mais segura... não sei te dizer... Está ótima! Bom te ver assim!

Vai saber... Se eu for olhar no espelho, não saberei dizer em que momento isso se deu. Se for procurar nos meus escritos, idem...

V A I S A B E R...

E como a vida é curiosa, não por causa disso, fui remexer os baús...

Pois é... "torna-te quem tu és", ele disse... E é o tempo, só o tempo que é capaz de ajudar-nos nisso, mais ninguém.

*Em 95, o escritor Caio Fernando Abreu, então colunista do jornal O Estado de São Paulo, publicou uma carta que teria sido escrita por Clarice Lispector a uma amiga brasileira. Ele comenta, no artigo, que não há nada que comprove sua autenticidade, a não ser o estilo-não estilo de escrita de Clarice Lispector. Ele dizia: "A beleza e o conteúdo de humanidade que a carta contém valem a pena a publicação..."

6 comentários:

Flavio Ferrari disse...

Torna-te quem tu és ...
mas cuidado
para não buscar
quem desejas ser

Ernesto Dias Jr. disse...

Aniversário de blog (enquanto registro de nossas vidas) é um pouco aniversário da gente também.
Então, parabéns querida!
Que seja um marco conhecido como o dia da mochila.
É quando a gente larga o carregado fardo que atrapalha a marche na beira da estrada, no acostamento. Alguém vai achá-lo e carregar, ou pegar o aproveitável e jogar o resto fora. Que importa?
E a gente segue a estrada, agora leve, leve.

Um beijão!

Érica Martinez disse...

Flávio: "como mutante, no fundo sempre sozinha, seguindo o meu caminho, ai de mim que sou romântica..."

Ernesto: que doces palavras! E nem terminei de ler o Jack, acredita? Um tal de Nelson Rodrigues me parou pelo caminho...
Essa vai para minha listinha do "TO REMEMBER": leveza!
Bjão!!

disse...

Um delicioso e especial ano.
Parab�ns querida.
Bjo

Udi disse...

A receita que funcionou prá mim (meio parecido com isso que o Ernesto fala aí em cima): deixar de lado o que eu "pensava" que era.

...e prá fazer um contraponto com a Rita Lee ("no fundo sempre sozinha"), canto uma do Gil (meu querido)

"...e quando escutar um samba-canção
assim como 'eu preciso aprender a ser só'
reagir e ouvir o coração responder:
'eu preciso aprender a só ser'"

beijo carinhoso e... assopre essa velinha virtual que acendi para o She

Érica Martinez disse...

Lú: e vamo que vamo!

ffffffffffffu (som de assopro, Udinha!)